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Vala-BH

January 13, 2013

Aí ontem eu disse: vou sair de noite. Não faço isso há muuuuuuito tempo, sair mesmo, ficar até de madrugada, dançar demais, paquerar (por esporte, claro), acordar de ressaca e rímel borrado. A proposta era perfeita: sessão Líder FM em casa noturna descoladinha, dançar Timbalada até as pernas doerem com companhias ótimas e voltar morta e feliz pra encarar o domingão. EBA!

Depois que terminou de passar “O homem que copiava” na TNT, fui fazer o ritual. Experimentei TODAS as roupas da casa (minha casa tem três mulheres, quando eu digo TODAS, eu quero dizer DAS TRÊS) e constatei que eu preciso comprar roupas urgente (minhas roupas de 10 quilos atrás me deixam todas com cara de evangélica/maria mijona/paciente de hospital). Ok, minha irmã e eu achamos uma blusa (dela!) que caía milagrosamente bem. Maquilei toda-toda e fui.

Saldo da noite:

– Casa de amigos = Meia hora + 1 iogurte de côco + três copos de cerveja

– Fila na porta dA Casa = Cinquenta minutos + um saco de pipoca

– Desistir dA Casa e da fila e pensar onde a gente ia dançar all night long = vinte minutos

– Cerveja no buteco copo sujo mais próximo: uma hora + batata frita + cinco copos de cerveja

E às 2h, quando eu papeava com o taxista o quanto devia ser difícil trabalhar à noite, ele me respondia: “é, minha filha, voltando a essa hora, dá pra perceber que ia ser difícil pra você, mesmo”.

Fim.

Sair de noite, que ideia a minha.

Belorizonte #2 – avaliação das bibliotecas de Beagá (em eterna construção)

August 2, 2011

Mais uma vez, o Selvagem proporciona a você, belorizontino, um incrível e inédito serviço de utilidade pública. Esse post é pra você, que se distrai com a rádio Deus é Amor na cozinha, o sofá quentinho na sala, o cachorro relando na parede do quarto. Para quem simplesmente não é capaz de estudar em sua própria casa, nossa equipe visitou algumas das principais bibliotecas da cidade e trouxe uma avaliação fresquinha e crocante!

Luminária individual é demais pro meu coração.

Letras – ****

Mais uma 24h para a alegria dos nossos corações! Depois da reforma, a biblioteca da Letras ficou um chuchuzinho. Além do ambiente climatizado com as melhores mesas, redondas e grandes, pra você espalhar todos os seus livros e papéis, ela tem um ambiente de entrada com várias mesinhas e tomadas individuais. Além de um espaço digital cheio de computadores patrocinado por um banco (?), em que a internet é bastante razoável. Para completar a atmosfera de amor acadêmico, os porteiros estão sempre muito satisfeitos e são muito simpáticos. Três palavras finais: máquina de café! Ok, ela pode vai engolir seu dinheiro, mas o troco vem em forma de felicidade. O único inconveniente é não poder entrar com garrafinha de água – a única nesse ranking. Mas ela não podia ser perfeita, né.

Onde fica? Campus da UFMG, na Pampulha.

Funciona quando? 24 horas, baby.

Silêncio? Sim!

Tomadas? Sim!

Banheiros internos? Sim!

Wireless? Sim, mas tem que ter registro no MinhaUfmg.

Face – ****

Sim, ela é 24 horas. Tem baias individuais e mesinhas coletivas, claridade e cadeiras confortáveis, tomadas e mais tomadas, banheiro e bebedouro lá dentro. A biblioteca da Face é quase linda. O que tira sua quinta estrelinha, além da localização um tanto fora de mão, é a excessividade de regrinhas e burocracias. Por exemplo: a biblioteca tem quatro salas de estudo em grupo, espaçosas, limpinhas e com um bom mobiliário de mesas e cadeiras. Mas para usar essas salas, é preciso ter em mãos diversas carteirinhas de usuário e preencher uma papelada enorme. E se não tiver feito reserva antecipada, a cara amarrada da funcionária vai quase te desanimar. Por exemplo: na sala de estudo individual, há um aviso colado na parede: “proibido usar o mouse”. Fim.

Onde fica? Campus da UFMG, na Pampulha.

Funciona quando? 24 horas, baby.

Silêncio? Sim!

Tomadas? Muitas!

Banheiros internos? Sim!

Wireless? Sim, mas tem que ter registro no MinhaUfmg.

Assembleia – ****

Um dos melhores achados, a biblioteca da ALMG continua nas sombras para a maioria das pessoas. Destaque para as luminárias nas mesas de estudo individual, cada uma com sua tomadinha-belezinha. Nada muito arrojado, mas uma ótima ideia – convenhamos. Vá preparado para um frio glacial devido ao ar condicionado, que incomoda um pouco, mas é lindo no verão tropical de Belo Horizonte. Para o pessoal do concurso, a biblioteca parece ter um acervo legal de coisas jurídicas e legislativas. E tem até um acervinho de literatura! Bem localizada, diversos ônibus por perto. Chuchuzinha, uma pena que fecha cedo.

Onde fica? Na sede da ALMG, R. Rodrigues Caldas, 30. Santo Agostinho.

Funciona quando? De 8h às 17h em dias de semana.

Silêncio? Sim!

Tomadas? Uma por mesinha individual.

Banheiros internos? Não.

Wireless? Sim!

Izabela Hendrix – ***

Duas questões tornam a biblioteca do Izabela muito prática: primeiro, ela fica na Praça da Liberdade, região central e cheia de ônibus. Segundo, pode entrar com mochila e tudo, sem aquela coisa chata de ficar voltando no escaninho pra buscar alguma coisa toda hora. O problema é que ela fica dentro de um colégio. Não é difícil se distrair com o ruído incessante na hora do recreio das crianças, ou com um dragão de papel passando na janela. Além disso, as tomadas estão todas localizadas em duas paredes: no restante do espaço, nada de ligar seu computador. Recentemente, bloquearam o acesso à internet wireless para quem não é estudante – o que também irrita. Mas nada que uma conversinha com o pessoal em volta não possa resolver.

Onde fica? Rua da Bahia, a um quarteirão da Praça da Liberdade.

Funciona quando? De 6h às 23h em dias de semana e de 7h às 17h no sábado.

Silêncio? Se você der sorte…

Tomadas? Algumas.

Banheiros internos? Não.

Wireless? Não.

Fafich – ***

Depois que começaram a construir o anexo do prédio, ficou mais difícil viver na biblioteca da Fafich. Sem o barulho de obras, ela é bastante agradável e aconchegante, embora seja sempre muito fria. O melhor da Fafich certamente é o acervo – se você é um estudante de Ciências Humanas, é claro. De resto, nada de especial: cadeiras velhinhas, algumas tomadas que não funcionam, sempre muita gente estudando. Entra no ranking principalmente pela questão afetiva, mesmo.

Onde fica? Campus da UFMG, na Pampulha.

Funciona quando? De 8h às 22h30 em dias de semana.

Silêncio? Quando não tem obra…

Tomadas? Funcionando, algumas.

Banheiros internos? Não.

Wireless? Sim!

Biblioteca pública – **

A biblioteca pública de BH tem duas opções de ambiente. A primeira é meio vitrine humana: fica todo mundo nas mesinhas, sem precisar de escaninho, mas com uma parede de vidro para a rua da Bahia. Acho essa parte meio opressora, todo mundo te vendo dormir em vez de ler o maldito xerox. Além disso, é meio sujeira tirar um computador da bolsa e ficar de boaça sendo observado por qualquer um. Para acessar a parte de cima, tem que preencher o livrinho e deixar a mochila nos escaninhos. Há algumas tomadas pelo chão, é fresquinho, até dá pra concentrar. Mas nada de silêncio. É como se os alunos do Santo Antônio estivessem fazendo educação física na estante de trás.

Onde fica? Rua da Bahia, a um quarteirão da Praça da Liberdade. Se você já andou até aqui, caminhe mais um quarteirão e vá para o Izabela. Vai valer a pena.

Funciona quando? A parte da vitrine, de 8h às 20h em dias de semana e de 8h às 12h no sábado.

Silêncio? Never.

Tomadas? Algumas.

Banheiros internos? Na parte de cima, sim.

Wireless? Diz que tem a da praça, né? Eu não consegui acessar.

Faculdade de Direito – *

Uma vez, eu levei pra casa sem querer a chave do escaninho dessa biblioteca horrorosa. Meu acesso foi bloqueado e lá fui eu devolver a maldita na segunda-feira seguinte. Acontece que você tem que pagar um chaveiro para trocar o segredo, quando isso acontece. Sai de 20 a 30 r$, dependendo do quanto o moço for com a sua cara. Os bibliotecários já deixam cartõezinhos do chaveiro mais próximo em cima da bancada. Ao me atender, ele me disse que vai ao local pelo menos duas vezes por dia. Precisa falar mais alguma coisa?

Onde fica? Av. João Pinheiro, entre Guajajaras e Álvares Cabral.

Funciona quando? De 7h às 22h em dias de semana e de 8h às 12h no sábado.

Silêncio? Não.

Tomadas? Tem uma gambiarra com uma extensão nojenta. Dá pra ligar uns 4 computadores.

Banheiros internos? Sim, porém assustadores.

Wireless? Não.

Centro de Cultura de Belo Horizonte (CCBH) – (-)* (uma estrela negativa)

Esse povo da administração municipal tem os conceitos muito diferentes dos meus – danadinhos. O que eles chamam de biblioteca é um espacinho com livros, revistas e jornais que você pode consultar. Até aí, tudo lindo. A ironia da coisa é que você pode consultar SÓ o mini-acervo deles. Nada de entrar com livros próprios ou de outras bibliotecas, quiçá páginas de xerox ou um notebook. Pra essas leituras externas, existe uma mesa com seis cadeiras e ponto, do lado de fora. Pra completar, os funcionários são meio desorientados (“Moça, não consigo abrir o banheiro com essa chave que cê me deu…” / “É, nem eu.”) e o lugar é MUITO barulhento. De que adianta esse prédio lindo, gente?

Onde fica? Rua da Bahia, nº 1149, esquina com Augusto de Lima.

Funciona quando? De 9h às 19h, em dias de semana.

Silêncio? Não.

Tomadas? Não.

Banheiros internos? Não. No andar da “biblioteca”, o banheiro não abre. Tem um banheiro no segundo andar.

Wireless? Sim, a da prefeitura.

Belorizonte #1 – Lourdes

January 3, 2011

Esse post inaugura uma série de escritos sobre Belo Horizonte, uma tentativa besta de montar a cidade na minha cabeça. Nessa brincadeira, o bairro de Lourdes fica sendo o reduto-mor da burguesia belorizontina. Isso, por vários motivos:

1) Lourdes é um desses lugares pros quais gente chique e do meio dispensa artigo. É muito mais fino dizer “eu moro em Lourdes” do que vulgarizar com “fica ali no Lourdes”. Tipo o Inhotim, que agora cismou que é só Inhotim: “Venha conhecer o Inhotim”. São Pedro, Santa Lúcia, Sion e outros espaços de luxo da cidade não gozam desse tipo de tratamento.

2) Lourdes tem um charme decadente, uma aura de madame idosa passeando com o cachorro – igualmente idoso. Não é igual o Belvedere, essa coisa de gente rica emergente. No Rio,  Lourdes seria Copacabana (repare na falta de artigo). O Belvedere seria a Barra, claro.

3) Só em Lourdes você pode encontrar gente rica bebendo champanha às 3 da tarde, em plena terça feira. “Quem são essas pessoas?”, você se pergunta, enquanto está parado atrás de um porsche que estacionou em fila dupla.

4) A fila dupla, inclusive, é uma característica do bairro. Depois das portas de escola, deve ser o maior índice de gente folgada em carros caríssimos por metro quadrado. A Marília de Dirceu deve ter uns 500m de extensão. Nesse perímetro, depois das 8h da noite, você vai ter que desviar de carros parados em local irregular pelo menos quatro vezes.

5) Em Lourdes, as empregadas domésticas usam uniforme. Tirando as novelas da Globo, você não vai ver isso em nenhum outro lugar.

5) Por mais que as coisas se confundam ao longo da São Paulo – e que os donos de estabelecimentos se esforcem por confundi-las ainda mais -, é muito fácil delimitar onde acaba Lourdes e onde começa o centro. Supermercado de luxo? Lourdes. Loja de calcinha sem placa? Centro. Calçada recém-reformada? Lourdes. Pilha de lixo com cachorro fuçando? Centro. “É primavera e os ipês da cidade florescem como nunca”? Lourdes. “Mulher é esfaqueada pelo marido gay”? Centro.

Nesse lugar, os lustres de cristal ficam reluzindo em meio aos carros conversíveis e às jóias.