Posts Tagged ‘posts que vão mudar o mundo’

Gente que inspira

March 14, 2013

Uma das minhas metas para 2013 é “saber quem são minhas referências”. Meu drama de não ter referências começou no fim do ano passado, quando uma repórter fofíssima me ligou pra escrever um mini-perfil. Entre questões como “com o que você trabalha” e “o que você gosta de fazer”, veio a fatídica “e quem são as pessoas que te inspiram?”. Pausa dramática ao telefone, branco total. Eu não sabia enumerar nenhuma pessoa que me inspira. COMO ASSIM, Brasil, ninguém me inspira? É muita pobreza de espírito.

 

Foi assim que começou minha jornada existencial work in progress em busca de inspirações, referências pessoais, gente que faz.  Jornada que você acompanha aqui, no Selvagem, em tempo real e com a exclusividade que nenhum pay-per-view pode proporcionar:

 

1. Lili

Lilimafalda

Depois que a Sasha me perguntou quem eram as pessoas que me inspiravam, eu só conseguia pensar na Lili – mas achei que ela ainda não era famosa o suficiente pro público da Gloss. A Lili foi da minha turma de mestrado (uma turminha mara, por sinal). Além de ser competente em absolutamente qualquer trabalho, a Lili é linda, sensata, entende as piadas, faz piadas melhores, é uma companhia incrível e me ensinou coisas muito importantes, como a importância de se avaliar as coisas em termos de processo – e não de resultado. Enfim, a Lili é uma dessas pessoas especiais, que o mundo tem muita sorte em ter dentro dele.

Inspire-se: a Lili é desse povo que recita Drummond pra crianças aleatórias de Diamantina!

2. Jean Willys

jan

Ele participou de um BBB. Ele GANHOU um BBB. Ele foi eleito deputado federal do estado do Rio, pelo PSOL. Ele milita pela causa LGBT e faz pronunciamentos super sensatos e bem elaborados. Ele enfrenta com muito orgulho, com muito amor, a bancada evangélica na Câmara. É muito improvável, gente. É muito necessário. É muito amor.

Inspire-se: Tapa na cara de Danilo Gentili & companhia!

3. Laerte

sonia

Pense num cartunista massa. Só por fazer quadrinhos ótimos, com um tipo de humor sutil e maravilhoso, o Laerte já poderia ser referência pra muita gente. Agora pense num cartunista massa, famoso e reconhecido, que decide, aos seus 40 e poucos anos, que é cross-dresser e passa a assumir a identidade de Sônia. É ousado, é revolucionário, é sucesso total. Chupa, matriz heteronormativa. Arrasou, Laerte!

Inspire-se: Laerte dando um banho de classe num jornalista bobão da Folha.

4. Merrill Garbus

images

Foi no ano passado que o Nuno me mostrou um dos clipes mais legais dos últimos tempos (esse aqui, ó). Depois de muito tempo fuçando pra saber quem era o GÊNIO por trás das crianças coreografadas e do conceito mara de maquiagem, descobri que (YES!) era uma gênia: essa moça, Merrill Garbus. Acontece que crianças e maquiagem eram só o começo. Merrill foi quem inventou essa banda maravilhosa chamada tUnE-yArDs (assim mesmo, em miguxês). Além de fazer letras absurdas e lindas, Merrill é desse povo que pega um sampler e uns pedais, coloca bateria, efeitos vocais bizarros, traz um baixista e um saxofonista e faz as músicas mais incríveis do mundo. Pra completar, ela tem um corte de cabelo lindo. Como não amar?

Inspire-se: Vídeo de um mini-show do tUnE-yArDs, impossível não querer ver um milhão de vezes.

Seja um motorista-humano, você também!

February 13, 2013

Um dos meus maiores traumas na vida foi fazer auto-escola, por diversos motivos (instrutor enrolado, eu enrolada, três reprovações no exame de direção, vencimento da pauta, novo instrutor ogro, etc). Até hoje me dá um frio na barriga quando eu vejo alguém penando pra fazer uma baliza em uma vaga do tamanho de um caminhão. Mas eu lembro com muito orgulho, com muito amor, de uma das coisas que eu queria aprender mais do que todas as outras: a não molhar os pedestres em dias de chuva. Mais do que bater o carro, mais do que a garagem lá de casa, mais do que segurar o trânsito do Elevado Niemeyer*, o que eu tinha mais medo na VIDA era de passar com o carro em uma poça e molhar as pessoas na rua.

Olha, eu aprendi e GENTE, é muito simples: está chovendo, logo, haverá poças. Há poças, logo, passe com seu carro bem devagarinho, porque qualquer terceira marcha é suficiente pra estragar o dia de alguém – que está a pé, molhado e injuriado o suficiente. É claro, é óbvio, é absurdo de tão fácil de perceber. Mesmo assim, os motoristas que eu conheço (e os que eu não conheço, porém amaldiçoo diariamente) continuam completamente insensíveis a isso. Outro dia, depois de ser atingida com mais umas 15 pessoas por sucessivas poças voadoras no ponto de ônibus, eu finalmente entendi que o problema do carro é que ele absorve a pessoa-humana dentro dele. Uma vez motorista, meu amigo, você some e o mundo passa a interagir com uma máquina sem sentimentos.

 

(Claro que o Pateta já tinha concluído isso há muito tempo, quando os desenhos ainda eram 2D)

 

Aí que eu percebi que todas as situações que eu amo no trânsito (eu sou dessas pessoas que faz listas, sabe?) são reflexos de que (ainda) existe vida atrás do volante. Tipo quando de repente chega uma ambulância e os carros têm que se virar pra achar um jeito dela passar. Quando rola aquela buzinadinha-amiga (pén-pén!) pra agradecer alguma coisa ou avisar que a porta está aberta. Ou na estrada, quando os caminhoneiros piscam os faróis de um jeito super maroto, pra deixar o carro de trás ultrapassar. Tudo isso pra mim (além de ser muito amor <3) é prova de que é possível vencer os impulsos assassinos que vêm junto com a sua carteira de motorista e interagir de pessoa pra pessoa, como se não houvesse a mediação de nenhuma máquina mortífera.

Depois de tirar essas brilhantes conclusões sobre a vida no trânsito, toda vez que eu estou dirigindo e tenho vontade de matar aquela tartaruga fazendo uma baliza na minha frente ou os pedestres que me atropelam no centro da cidade, eu mentalizo: “pessoa-humana, pessoa-humana” e me torno uma motorista melhor. Se você veio parar nesse blog por acaso, tente você também. Sem nem perceber, você vai se pegar reduzindo a marcha pra passar nas poças e (uau!) deixando alguém atravessar naquela esquina que nem faixa de pedestre tem.

* Pra quem não sabe, já tem algum tempo que o Elevado Castelo Branco, em Belo Horizonte, foi rebatizado “Elevado Niemeyer”.

Enquete cultural – quem diabos é Durango Kid?

October 4, 2011

Um dos grandes mistérios da música brasileira é o tal do Durango Kid, que aparece em nada menos que três músicas que eu conheço (Cowboy fora da lei, do Raul Seixas; Eu quero é botar meu bloco na rua, do Sérgio Sampaio e Durango Kid, do Milton). Não é preciso nem levar em conta o grande acervo brasileiro que eu não conheço pra constatar a representatividade desse personagem. Acho que fora ele, só o Matita Pereira, mesmo – que é outra grande incógnita, mas fica pra outro post.

É na busca de trazer mais conhecimento para o universo virtual – além de algum entretenimento besta pra alegrar seus corações – que o Selvagem traz até você a enquete cultural da vez. Quem, afinal, é esse moço, Durango Kid? Seria um cowboy gaúcho fundo de quintal? Um maníaco urbano, tipo o fura-bundas? O porquinho-da-índia do Vinícius de Moraes?

Está posto o desafio. A resposta mais criativa, segundo a classificação dos nossos jurados*, ganha uma camiseta produzida e autografada pelo próprío Selvagem, além de kit camisinha e cortesias para o show do Djalma não entende de política no Chevrolet Hall. Tá esperando o quê pra mandar a sua?

*Conheça aqui os nossos jurados.

Para que eu não me esqueça

April 28, 2011

Eu tenho uma memória-prática horrível, coitada. Pelo menos duas vezes por mês, esqueço o celular no provador da Hering, a senha do cartão do ticket, o caminho da casa da Drica, essas coisas úteis e muito necessárias. Em compensação, meu cérebro é ótimo pra guardar coisas inúteis: sempre soube os nomes das capitais do Brasil (uau!), os pecados capitais, a letra de Faroeste Caboclo. Conhecimento de palavra cruzada, sabe? Desse que não vai me levar a nenhum lugar muito distante do Soletrando.

Hoje, lembrei de uma frase que uma professora de história do terceiro ano (Sandra Mara) ensinou pra gente: “Para que eu não me esqueça”. Na minha cabeça, era alguma coisa que os quebequenses escreviam nos muros. Me lembro que achei lindo isso, anotei a frase no cantinho do caderno e tudo. Pra variar, não me lembro do mais importante: esquecer do quê? Joguei no google (essa combinação super produtiva Quebec + “para que eu não me esqueça”) e não achei nada. Talvez seja uma frase dos argentinos. Talvez eu tenha inventado. Mas achei uma ironia muito boa eu não me lembrar do que é que o povo não deveria se esquecer.

Qual a utilidade de lembrar que a mocinha andrógena das notas do Real chama Efígie?

Mini-reflexão sobre metas e ambições

April 25, 2011

Perceba, amigo leitor, como as metas são diferentes das ambições. Metas são coisas definidas, que a gente inventa pra poder alcançar. “Terminar de ler meus textos até junho”, “Ir à academia três vezes por semana”, “Vender 70% de eletrodomésticos a mais que o concorrente”. Todos exemplos de metas, essa palavrinha fria, dissílaba e sem graça. Já as ambições (ah, as ambições…) são muito mais legais: você simplesmente as estabelece, sem compromisso nenhum de chegar a elas um dia. Claro que seria muito doido se conseguisse, mas é mais provável que você as esqueça no meio do caminho. Eu sou uma pessoa de ambições pequenas. Na minha atual lista top 3 ambições para o outono, formulada algumas horas atrás em uma viagem de ônibus, figuram três:

1) Saber tudo sobre os situacionistas e a contracultura dos anos 60;

2) Zerar o jogo da cobrinha do celular;

3) Decorar a letra de “Capítulo 4, Versículo 3”, dos Racionais.

Não necessariamente nessa mesma ordem, é claro.