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Bobalegre

January 31, 2013

Quando eu nasci, um anjo torto

desses que vivem nas sombras

disse: Vai, Carol, ser bocó na vida!

Aí eu fui, né, fazer o quê.

Mas toda vez que eu consigo quebrar o devir-bocoió maligno eu fico toda-toda. É a segunda vez em 2013 (ô ano que promete!) que eu me faço ouvir em alguma situação pública em que a aprovação alheia é muito importante pra mim. E é a segunda vez que rola demais! EBA! Agora tô aqui, 1h da manhã, eufórica, me sentindo assim muito mulher.

Chupa, anjo féladaputa.

Chupa, anjo féladaputa.

De zerola a macho-alfa

March 11, 2011

A pedidos de João, leitor VIP do Selvagem e pegador de Diamantilla, segue abaixo a matéria que Nuno, Luizinha e eu escrevemos pra Outro Sentido. Ela é grande, mas nós é ruim – como se diz.

Seus dias de tolo médio frustrado já eram!

Juninho* tem 25 anos e trabalha como vendedor em uma loja de materiais para construção em Campina Verde, no nariz de Minas Gerais. Desde o final de seu primeiro namoro, aos 15 anos, não teve mais relacionamentos fixos. Frequentemente, quando tenta iniciar o contato com uma mulher, é acometido pelo que chama de AA: ansiedade de aproximação. “Eu fico totalmente travado. Penso em tudo que pode dar errado, me passa pela cabeça: ‘você vai bancar o ridículo, ela não vai te dar atenção, vai rir de você, você vai ser estranho, ela vai falar de você depois que você sair’”.

O drama de Juninho reflete a realidade de muitos outros rapazes. A falta de traquejo com as mulheres é uma característica comum a todos eles – tímidos, inseguros e ávidos por uma vida sexual mais agitada. De olho nesse segmento, um novo mercado de auto-ajuda vem se constituindo desde a década de 80: o da sedução. O papa do assunto é um ex-mágico metido a garanhão. Para levar a arte da paquera a discípulos nos quatro cantos do mundo, Eric Von Markovic, vulgo Mystery, escreveu o livro Mystery Method – How to get beautiful women into bed.

O Mystery Method é a base, a gente chama até de bíblia”, conta Eduardo Santorini, autor da apostila virtual Guia da Paquera e dono do blog Atitudedehomem.com. Embora Mystery tenha sido pioneiro no ramo, a literatura especializada já se difundiu bastante. Outro clássico da sedução é O Jogo, do jornalista Neil Strauss. Mais ousado, ele “mistura um pouco de romance e um pouco de técnica”. Além dos livros, amplamente compartilhados na web, há centenas de blogs, comunidades e fóruns sobre o assunto. Os métodos variam, mas todo o material tem a mesma base teórica. Santorini explica que a matriz conceitual da chamada Pick Up Art (algo como “Arte da Pegação”) envolve “psicologia, algumas explicações da biologia da evolução e o conceito de dinâmica social, da programação neurolinguística”.

O espírito empreendedor de Eduardo Santorini foi de grande valia para o desenvolvimento da Pick Up Art no Brasil. Inspirado nos escritos estadunidenses, ele se juntou a dois amigos e abriu uma empresa: a Seduction Life. Desde o ano passado, ela presta consultoria a rapazes de todo o país. De Porto Alegre ao Rio de Janeiro, 12 cidades já foram agraciadas com o workshop “Segredos da Atração”, ministrado pelos três sócios. Só em Belo Horizonte, foram quatro edições. Em janeiro desse ano, a fila de espera chegou a 37 pessoas.

Zerolas Anônimos

Foi buscando as palavras “conquista” e “mulheres” no Google, que Juninho descobriu o mundo Pick-Up. Nos sites que a pesquisa revelou, encontrou pessoas que falavam sobre caras como ele. “Tudo o que eu fazia estava lá como sendo coisas a serem evitadas. Aquilo mexeu comigo”. Ele poderia ser classificado como o que Santorini chama de “tolo médio frustrado”. De olho no status de PUA (Pick Up Artist), juntou 600 reais e conseguiu uma das disputadas vagas do workshop de Belo Horizonte.

Santorini enquadra o público do “Segredos da Atração” nas classes A e B, em uma faixa etária de 20 a 35 anos, de 70% a 80% tímidos. “Há pessoas que entram no curso com dificuldade até para pedir uma informação na rua”, conta o consultor. Juninho revela que a timidez faz com que os participantes prefiram permanecer no anonimato: “ninguém da sala havia contado pros pais que ia fazer o workshop, por medo de represálias”.

De acordo com Santorini, o workshop é “uma forma de esculpir, um trabalho de marketing pessoal para deixar a pessoa mais apresentável no mercado”. Durante o curso, os alunos têm módulos teóricos e práticos. O grupo se reúne em um hotel, faz toda a parte de seminário e depois vai para a balada. No último workshop em BH, a prática teve lugar no Alambique, na Swingers e nos badalados corredores do BH Shopping.

A hora da caça

É no que eles chamam de field que os alunos da Seduction Life praticam as técnicas ensinadas durante as aulas. O day game inclui atividades em shoppings, parques ou qualquer situação do dia-a-dia. De acordo com o Atitudehomem.com, esse tipo de ambiente costuma render um número de telefone ou um encontro posterior. Mais importante parece ser o night game. Eduardo Santorini lembra que, na cultura brasileira, esse field geralmente rende logo um kiss close (ou um fuck close, se bobear). É pensando nesse ambiente, mais propício à sedução, que o instrutor descreve um passo a passo para o PUA wannabe.

Tudo começa pelo social proof: o aprendiz tem que criar valor para si no ambiente. “É muito importante que você estabeleça relação com várias pessoas. É chegar no lugar e conversar com o segurança, com o DJ, com homem, mulher, sociabilizar”, explica Santorini. É proibido ser o que ele chama de sniper, pessoa que só “foca em um alvo, atira e, se não der certo, passa para outro”. Além de parecer popular, o que segundo ele é motivo de atração para as mulheres, esse tempo de “sociabilização” permite identificar possíveis alvos. Através da leitura de “indicadores de interesse”, o PUA sabe quando deve atacar. Uma jogada de cabelos, um sorriso ou um olhar podem significar muita coisa.

A abordagem deve ser meticulosamente calculada. Quanto mais indireto, melhor. O PUA deve esquecer as chamadas “perguntas da morte”, como o “oi, posso te conhecer?”. Como explica Santorini, com essa abordagem “você pode até, de repente, fazer uma amizade, mas você não vai conseguir atrair a outra pessoa”. Para despertar o interesse, o PUA pode se servir de um openner: um pretexto para começar a conversa, como uma pergunta de opinião. Assuntos leves, como cultura e comportamento, são sempre boas pedidas. Outra estratégia é o neg, definido no livro O Jogo como “uma tática que consiste em esnobar o objeto de desejo, de modo a reduzir sua auto-estima, com frases do tipo: ‘Que unhas bonitas! São de verdade?’”.

Depois de toda essa construção, finalmente o aprendiz pode se dedicar ao principal: “criar atração”. O consultor explica melhor: “você vende seu peixe através de características que são atraentes para as mulheres”. Entre liderança e bom humor, a empresa já catalogou 33 características que tem apelo positivo para as mulheres. O PUA deve identificar em si algumas delas e usá-las a seu favor.

Fake it until you make it”

Depois do workshop, Juninho criou um perfil no Orkut paralelo ao seu perfil original. Nele, seu nome é Raptor, que significa predador, caçador. “No meu caso, de mulheres”. Raptor está em comunidades auto-afirmativas como “Macho Alfa”, “Eu faço meu próprio destino”, “Auto-Hipnose”. Participa também de outras com as quais se identifica, mas que acha que as pessoas ainda não têm cabeça aberta para entender, como “Budismo” e “Ryu” (dedicada ao personagem do game japonês Street Fighter). Apesar de não usar o apelido no dia-a-dia, Juninho tem o Raptor como um ideal que construiu para si. É nele que pensa “toda vez que eu sinto um medo e enfrento, quando me aproximo de um estranho, enfim, sempre que eu tento evoluir e melhorar em todos os sentidos”. Sua luta constante é no sentido de unir Juninho e Raptor.

Juninho ainda não se considera um PUA. Ele se vê como um newbie, um cara em treinamento. Quando pode, tenta colocar o que aprendeu em prática. Uma vez, viu uma menina no clube jogando peteca. Ela estava cometendo alguns erros no jogo, e ele, estrategicamente, começou a dar sugestões. Estava lançado o neg. Desconfiada, a menina parou de jogar e foi para a beira da piscina. Como quem não quer nada, Juninho foi conversar com amigos que estavam próximos, aumentando assim o social proof. Resolveu investir com um openner. “Eu estava com muito frio na barriga. Fui até ela e disse: ‘Me dá uma opinião. Você namoraria um cara que é amigo da ex?’ Ela nem deu moral, nem tirou o fone de ouvido para conversar. Ela só balançou a cabeça em sinal negativo. Disse mais alguma coisa para disfarçar e saí fora”, conta.

Mas não vai ser um fora que vai fazê-lo desistir. Juninho revela que a sedução é um jogo: ora se ganha, ora se perde e nunca se deve levar para o lado pessoal. “Quando um cara leva um fora, muitas vezes ele fica pensando que foi algo com ele, ele é que estava errado. Isso é baixa auto-estima. Ele nem imagina que pode ser algo com a mulher, que ela teve um dia ruim. Depois que nós entramos no mundo PU, não levamos fora, apenas descobrimos se uma mulher tem bom gosto ou não.” Para concluir, Juninho analisa pragmaticamente a arte da qual ainda é um aprendiz: ”existem maneiras de se ver o mundo mais úteis do que outras: basta uma mudança de consciência.”
*Alguns nomes foram alterados para preservar a integridade das fontes